Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

A PONTE




Entre a ponte duas mãos,
o rio rindo e os carros cantando. Búzinas lá lá.....
O sol se esconde ali na ponte
do Pina atrás de Atacado da Construção,
tudo é visível feito vento, levando uma topada na água.
Caindo aqui e acula, pipas marginas.
Um cardume de cheira-colas bem pertinho estava, batendo bola.
Não tenho freio nas palavras
pois ainda não consertei o que quebrou em mim.
Por acaso.
Você já desceu de alguma ponta das cinco pontas de seus dedos,
com uma bicicleta sem freio? Experimente.
A sensação de cair no abismo,
mesmo sabendo que irei parar nas tuas mãos.
A ponta da faca, cega, hoje inaugura seus óculos
- tu vai a festa, de sangue e alma?.
Erro de corpo, e não paro mais em mim.
Sem querer barriga de um dos cheira-cola ronca alto,
quebra esse poema,
espanta borboletas de papel iluminado, espalhadas
perto da ponte bem nutrida, que já tinha almoçado.

Aldemir Suco

Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Suco ou Char, parte 1

CURTO

Sequestro relâmpagos,
stress de trovão.
Profissão:Condutor de raios.

Aldemir Suco


LUTADORES

O pão das estrelas me pareceu tenebroso e rijo no céu dos homens, mas, em suas mãos estreitas, li a luta dessas estrelas convidando outras: emigrantes da ponte, sonhadoras ainda; recolhi seu sour dourado, e por mim a terra parou de morrer.

René Char

Sábado, 14 de Junho de 2008

Um silvio de Silvia


Mundo estuário


Linhas que partem o invisível
Fronteiras que fingem ser fim
Um dia inteiro é noite também
Claros e escuros, mal e bem
Vitamina de vinho e vida
Água vertida por toda gente que sente e quer lutar
Divisão: ilusão de ótica
Ou um, ou outro, ou encontro


Meu avô cruzava
Rosas e cravos
Aprendi a pintar
Por flores paridas
Que nunca existiram
Antes dos meus olhos
E das mãos do meu avô
Rios e mares
Cicatrizes, feridas
Tempos do mesmo corpo
Mãos que se tocam ouse lançam ao espaço
Tudo se penetra
Mão com mão
Mão com vento
Mão com terra
Olhos com mundo


Sou amante da besta e do anjo
Ando, danço, vôo e cavalgo
E todo o sangue que se vê
Vem das mesmas patas
Dos mesmos pés
Limpos por baixo da lama
Lótus por cima das unhas


Aqui é a casa do demônio
Com 101 quartos floridos
Para cem deuses queridos
Que cuidam de aguar o jardim
E abrir as janelas Vou girar, girar
Despir as portas
Quero pórticos de ar
Dentro e fora
Concretamente invisíveis
Para penetrar a morte
Quando a morte chegar


Misturando-se à vida
A felicidade do espelho
É brincar de sentir
A transparência do vento
O meu escalpo já foi levado ao altar
Cada fio de cabelo
A libertação de um corpo
A cariciando a brisa
Na lambida do sol
O útero da chuva
Fecunda o arco-íris
No lugar mais profundo
A vida é um sopro
Misturado ao azul


Silvia Góes

Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Eterno Bukowski.



POEMA NOS MEUS 43 ANOS

Terminar sozinho
no túmulo de um quarto
sem cigarros
nem bebida -
careca como um lâmpada
barrigudo,
grisalho,
e feliz por ter
um quarto.

... de manhã
eles estão lá fora
ganhando dinheiro:
juízes, carpinteiros,
encanadores, médicos,
jornaleiro, guardas,
barbeiros, lavadores de carro,
dentistas, floristas,
garçonetes, cozinheiros,
motoristas de táxi...

E você se vira
para o lado esquerdo
pra pegar sol
e não
direto nos olhos.

Charles Bukowski

Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Dois versos numa só boca.

SUMA

Sob o sumiço do sol,
herdeiro nenhum
deu valor.

Aldemir Suco

Procurei
entre os detritos
seus pedaços
fragmentos
encontrei os teus
sumiços
tuas horas fantasmas
e fiz parte de tudo isso
que parecia nada
disso
teu presente me acalma 19 vezes
invisível

Lúcia Gönczy

Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Fragmentos n'alma

(Não sei o titúlo)

Sem porteira nos
olhos sem ódio
no coração,
só sangue
sem armaduras
sem couraças
peito aberto
sem lanças
sem soldados romanos
por perto
sem ego
só luz

existir deve ser assim


Nicolas Behr

Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

O céu não mudou nadinha, mais eu sim.


FLERTE FATAL


São Paulo,
cinco e três da manhã.
Sinto a ferrugem,
o telefone
ainda continua calado.


Chego e tomo meu whisky
alimento a menos
minha solidão.

O gosto amargo
insiste em permanecer
em meu corpo
corpo, corpo.

Está nu. Gelado com
o peito ardendo

gritando por socorro
prestes a cair do décimo
quarto andar
a sacada é curta,
grito é inevitável
eu vou acorda o
vizinho vou riscar
os corpos.

Eu vou te telefonar....
dizer que eu sou preciso dormi.

Trecho de abertura da música Flerte Faltal
do Ira! Não sei vocês mais acho esssa
música do caralho.